HISTORIAÇÃO

O passado é uma referência de realidade, sem a qual o presente é pura irreflexão

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QUANTO VALE UMA INFORMAÇÃO? FOLHA DE SÃO PAULO E O FOLHALEAKS

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Professor quanto tempo , nem sei se ainda lembra de mim , mais tudo bem , quero dizer q seu site me ajuda ate hoje ! vc ainda da aula no santo agostinho ?  bj
9 Out, 2011
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Textos e fontes de pesquisa

 

MOTORISTAS BRASILEIROS: VELOZES E FURIOSOS

Jener Cristiano Gonçalves

 Texto escrito para o ato cívico do feriado de 07 de setembro de 2010

 

Quando se pensa no dia sete de Setembro todos pensam no feriado. Eu, ao contrário, penso, infelizmente, nas mortes nas estradas brasileiras. Todo feriado, seja ele santo ou não, é a mesma coisa. A intolerância, a impaciência, a imprudência e a falta de educação do nosso motorista é algo sem limites. Desafio qualquer um a andar no Anel Rodoviário no limite de velocidade permitido pela via (80 Km/h). É simplesmente impossível. Sempre que tento fazer isso olho no retrovisor e penso: “lá vem eles, Velozes e Furiosos”. O comportamento desse motorista é bem previsível. Obviamente ele está acima, muito acima do limite de velocidade máxima permitido. Por querer passagem rápida ele pisca faróis várias vezes a cerca de 1 Km de distância. Se você não sai do caminho ele cola na sua traseira, fica ali um tempinho e buzina. Caso o motorista lento (leia-se: aquele que dirige de maneira civilizada e dentro dos limites previstos pelas autoridades de trânsito) ainda não tenha dado passagem, os velozes e furiosos fazem a sua última manobra. Eles dão um golpe de direção para a direita, aceleram fundo, fazem a ultrapassagem e jogam o carro na sua frente, tentando fazer com que você bata na mureta que divide as pistas. Feito o “ato de justiça” eles abrem a janela, fazem gestos obscenos e outras ofensas morais por meio de símbolos bem conhecidos por quem dirige diariamente, pisam fundo e vão embora. Isso acontece todos os dias nas ruas e estradas do país. Tudo isso porque você resolve obedecer a lei e dirigir em velocidade segura.  

Durante o feriado de Independência deste ano, 97 pessoas morreram nas estradas de todo o país. 1.487 pessoas ficaram feridas. Segundo a Polícia Rodoviária Federal 436 motoristas foram reprovados no teste do bafômetro. Destes  229 foram presos. Ao todo foram registrados 2.329 acidentes. Famílias foram destruídas, pessoas saudáveis foram mutiladas e terão que conviver com as mais diversas sequelas. As mortes das estradas brasileiras são piores do que a guerra no Oriente Médio. Dois dos mais violentos ataques terroristas no Iraque no mês de agosto de 2010 deixaram 102 pessoas mortas e 125 feridas. Aqui no Brasil a guerra não é silenciosa e todo feriado prolongado a mesma notícia se repete. A nossa situação não é muito diferente dos iraquianos. Aqui nós temos carros bomba, caminhões bomba, motocicletas bomba explodindo todo dia, em cada rua, em cada esquina. Isso é assustador, pois se trata de uma necessidade de locomoção que vem sendo usada como arma. O nosso motorista se inspira na produção hollywoodiana “Velozes e Furiosos”. Mas aqui, ao contrário do cinema, as mortes não são ficção, os motoristas não tem dublê, os efeitos da guerra nas estradas não são nada especiais, e os mortos não recebem o Oscar. Então fica a reflexão. No próximo feriado de sete de setembro o que desejamos? Independência ou Morte? Educação no trânsito deveria ser incluída no currículo escolar brasileiro, isso seria um gesto de cidadania e respeito à vida.

 

 

ATOS SECRETOS, POLÍTICA E OPINIÃO PÚBLICA NO LIXO

A Gazeta (ES) (17-05-2010)
No dia 1º de maio de 1981, no contexto da abertura política no Brasil que marcava o fim da Ditadura Militar, ocorreu um incidente conhecido como Atentado do Rio Centro. Alguns militares planejavam explodir uma bomba no prédio do RioCentro, onde ocorriam comemorações do Dia do Trabalhador, e posteriormente colocar a culpa pelo atentado nos grupos de esquerda radical que pressionavam para que a Ditadura militar chegasse ao fim no país. O plano foi frustrado, uma vez que a bomba explodiu antes da hora, dentro do carro que se encontrava no estacionamento do local do evento, matando um dos ocupantes do veículo e ferindo gravemente o segundo. Durante o processo de investigação cogitou-se que o atentado foi planejado pelos grupos políticos atuantes que defendiam o pleno restabelecimento da democracia no Brasil. Obviamente, esta era uma grande mentira. O atentado foi planejado pelos radicais do exército que intensionavam paralisar o processo de abertura política brasileira. É nesse contexto que Afonso Romano escreve um belíssimo poema, intitulado A IMPLOSÃO DA MENTIRA. O poema é extremamente atual e poderia ser diariamente recitado para os acupantes de cargos públicos no Brasil, principalmente para deputados federais e senadores, que estão se lixando para o que pensa a opinião pública.

A IMPLOSÃO DA MENTIRA
Affonso Romano de Sant'Anna

Fragmento 1

Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.

Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.

Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.



Fragmento 2

Evidente/mente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.

Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre.Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial?mente,
mente partidária?mente,
mente incivil?mente,
mente tropical?mente,
mente incontinente?mente,
mente hereditária?mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira
diária/mente.


Fragmento 3

Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu
quem mente.
mas o tribunal que o julga
herege/mente.
Mentem como se Colombo partindo
do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira
um continente.

Mentem desde Cabral, em calmaria,
viajando pelo avesso, iludindo a corrente
em curso, transformando a história do país
num acidente de percurso.


Fragmento 4

Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.

Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores
cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.

Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.


Fragmento 5

Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.

E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.



CPDOC-FGV (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil -Fundação Getúlio Vargas) Site simplesmente imperdível para quem se interessa pela História do Brasil Contemporâneo, principalmente assuntos ligados à República. Fotos, fontes orais, livros para download, verbetes do dicionário histórico biográfico brasileiro e muito mais, tudo à disposição dos interessados.

O Departamento de História da UFMG oferece por meio do PEG (programa especial de graduação) uma importante referência para a Prática de Ensino de História. Os temas do site restringem-se ao Brasil Colônia e Brasil República pós-1964. Lá é possível ter acesso a várias apresentações em Power Point, Textos de aprofundamento, bibliografias, filmografias, cronologias e orientações sobre o uso do material. É impossível deixar de analisar este trabalho acadêmico preocupado em estreitar os vínculos entre a universidade e ensino secundário.

MACHADO DE ASSIS (OBRA COMPLETA) O Ministério da Educação (MEC), por ocasião do centenário de morte do escritor Machado de Assis, desenvolveu um trabalho cujo objetivo é fazer com que a obra completa do autor chegue a qualquer usuário na internet, em edições confiáveis e gratuitas. Como a literatura é uma fonte de grande importância no trabalho do historiador, divulgar este trabalho de MEC é funamental. Além do que, revisitar os clássicos da literatura brasileira é sempre um grande prazer.

RACISMO POSSUIA STATUS DE CIÊNCIA NO SÉCULO XIX (Jener Cristiano)

A partir da segunda metade do século XIX começavam a surgir teorias científicas que buscavam explicar as diferenças sociais por meio de um discurso científico. Tratava-se do Darwinismo Social. Originária do continente europeu, esta teoria enfatizava a necessidade de levar a inteligência, a sagacidade e a superioridade da Europa aos demais povos do planeta, considerados atrasados por não possuirem habitantes brancos. De acordo com esta teoria, o Brasil era um país com o desenvolvimento econômico, político e social inviável, uma vez que sua população era mestiça, misturada e degenerada. Uma das soluções propostas foi a política de branqueamento dos povos inferiores. Esta proposta consistia em introduzir brancos europeus entre os habitantes mestiços. Nesse processo de mistura, predominaria a herança da raça superior. É nesse contexto de discurso científico que a imigração européia toma fôlego no Brasil império, por volta de 1870. A pintura abaixo, de Modesto Broccos, é a reconstrução por meio de imagens, dos argumentos e perspectivas dessa política de branqueamento. Na imagem, o Brasil é descrito como uma nação composta por raças miscigenadas, porém em transição. Os mestiços, passando por um rápido e acelerado processo de cruzamento e depuração mediante uma seleção natural, levariam a supor que o Brasil seria, algum dia, branco.

É também no século XIX que surge a eugenia, teoria que busca produzir uma seleção nas coletividades humanas, baseada em leis genéticas. Essa doutrina objetivava estudar e selecionar os elementos que pudessem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. A Alemanha nazista levou essas teorias até as últimas conseqüências, eliminando não apenas judeus, homossexuais, prostitutas e ciganos, mas, inclusive, alemães com alguma deficiência física ou mental. Os judeus foram as vítimas preferenciais, servindo como cobaias para os experimentos biológicos dos médicos nazistas.

HOLOCAUSTO
Após o massacre de cerca de 6 milhões de judeus durante a 2ª guerra mundial, essas teorias entraram em desuso. Recentemente o filme Gattaca, experiência genética, de 1997, baseou-se nessas idéias para construir seu roteiro.

Fonte de pesquisa: SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espetáculo das raças; cientistas, instituições e questão racial no Brasil, 1870-1930. São Paulo: Companhia das letras, 2001.

 
 
 

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QUANTO VALE UMA INFORMAÇÃO? FOLHA DE SÃO PAULO E O FOLHALEAKS

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TWITTER: CONCISÃO, RELEVÂNCIA E SIMPLICIDADE

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